feelings in the wind ~

Texto

A verdade é que eu sou chata demais, estressada demais e tô sempre de saco cheio de tudo. E eu escrevo. Escrevo todo dia o quanto a vida me desgasta, o quanto eu quero mais, o quanto eu canso. Detesto me fazer de vítima, não me faço não, tenho o meu direito de mostrar indignação, impaciência e nem por isso devo ser taxada de coitadinha. Não sou coitadinha.

Eu tenho malícia, eu tenho malícia o suficiente pra saber como o mundo acontece. E o mundo é sujo, e eu sou suja e você é sujo. Todo mundo tem um lado mal, banal. No fundo todo mundo é igual e cada um encara os fatos de uma forma diferente.

E eu sou chata, sabe porque eu sou chata? Eu sou chata porque não gosto que brinquem com as minhas verdades, não gosto que me enganem, não gosto que me firam.

E eu sou estressada, e eu grito, e eu choro, me desespero, é um direito meu.

E eu tô sempre de saco cheio porque eu tô cansada do igual, eu tô cansada de menosprezo. Tô cansada de ser tratada como um cachorrinho que você bate e ele late, daí você faz um carinho e ele balança um rabinho sem a mínima raiva.

Não sou uma cadelinha bonitinha não, você me bate e eu te bato. Comigo é toma lá dá cá.

E eu tenho vontade de sair socando tudo, descendo o pau em todo mundo.

Publicado em domingo, Abril 8 2012.
feelings in the wind ~ Sou forte. Meio doce e meio ácida. Em alguns dias acho que sou fraca. E boba. Preciso de um lugar onde enfiar a cara pra esconder as lágrimas. Aí penso que não sou tão forte assim e começo a olhar pra mim. Sou forte sim, mas também choro. Sou gente. Sou humana. Sou manhosa. Sou assim. Quero que as coisas aconteçam já, logo, de uma vez. Quero que meus erros não me impeçam de continuar olhando para a frente. E quero continuar errando, pois jamais serei perfeita (ainda bem!). Tampouco quero ser comum e normal. Quero ser simplesmente eu. Quero rir, sorrir e chorar. Sentir friozinho na barriga, nó no peito, tremedeira nas pernas. Sentir que as coisas funcionam e que tenho que trocar de jeito quando insisto em algo que não dá resultado. Quero aprender e, ainda assim, continuar criança. Ficar no sol e sentir o vento gelado no nariz. Quero sentir cheiro de grama cortada e café passado. Cheiro de chuva, de flor, cheiro de vida. Aprecio as coisas simples e quero continuar descomplicando o que parece complicado. Se der pra resolver, vamos lá! Se não dá, deixa pra lá. A vida não é complicada e nem difícil, tudo depende de como a gente encara e se impõe. Quero ser eu, com minha cara azeda e absurdamente açucarada. Não quero saber tudo e nem ser racional. Quero continuar mantendo o meu cérebro no lugar onde ele se encontra: meu coração. E essa é a melhor parte de mim.
— Clarissa Corrêa
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